Chegando no Rio. Voltei, mas não adianta avisar. Espremida na cadeira do avião comecei a percorrer o roteiro costumeiro
de pensamentos insanos. Quanto mais imobilizada melhor a viagem. Foi assim que me dei conta: não era só de você que tinha
saudade. Mas das suas partes. A boca, os dedos, o pau. É muita ausência!
Não queria perder a pose diante da perua ao lado. Então
cruzei a perna na calça preta apertada. Era tarde. Lembrei a sua boca com fome. E me imaginei
provando um beijo farto, sem suspiros ou suspense. O encontro de quem procura e
acha. Busca mais e mais acha. E assim numa sucessão de línguas bárbaras. Os dedos, esses mais pacientes, percorriam meus segredos com
calma. Ao encontrá-los, já suados de ansiedade, recheavam seus mistérios com
gemidos libertários. Minhas coxas pareciam fracas diante do desejo das partes. O
quadril se inclinava para trás, milimetricamente. E na interseção das causas, o
calor da intimidade se acendia. Eu me apertava perplexa. Como um homem endurecido pode ser
tão macio ao toque. O beijo pode engolir enormes porções de desejo e cuspir
tesão incomensurável. Melhorei a postura sentindo sua mão e braço segurando o meio
de mim. Sonhei e implorei para que entrasse ali, no meio, passeando a sua
presença na minha carne. A vontade doía, de tão grande. O encosto da poltrona
rangeu, a imitar a cama sob nossos corpos. Respirei, meditando o sexo em um
ponto imaginário de um ângulo incerto. Apertei os lábios para ajudar as coxas
em seu esforço silencioso e patético. E um grito queimou entre as minhas pernas. Pousei.